Ler uma carta é como escutar a uma só das pessoas que tomam parte em uma conversação telefônica. De modo que quando lemos as cartas de Paulo frequentemente nos encontramos com uma dificuldade: não possuímos a carta que ele estava respondendo; não conhecemos totalmente as circunstâncias que estava enfrentando; só da carta podemos deduzir a situação que lhe deu origem. Sempre, ao ler estas cartas, nos apresenta um problema dobro: devemos compreender a carta, mas não a entenderemos se não captarmos a situação que a motivou. Devemos tratar continuamente de reconstruir a situação que nos esclareça carta.

Para compreender os escritos paulinos faz-se necessário calma e paciência, é impossível entendê-los lendo apressadamente! Teremos que ler devagar, entender o significado das expressões chaves. São elas que indicam a relação entre um termo e outro que Paulo faz muito bem. A leitura apressada do epistolário paulino é o que faz seus escritos, muitas vezes, parecer sem sentido ou de difícil compreensão.

Cabe a vocês, estudantes das Sagradas Letras, a missão de não querer esgotar Paulo num breve curso como este. Esta é apenas uma porta que se abre. Ler e reler estes escritos (muitos deles os primeiros textos do NT) ajuda a tirar aquela ideia equivocada, tão mal difundida por alguns autores que qualificam o Apóstolo como duro, frio, machista, submisso ao império.

Nós podemos dizer das Cartas o mesmo que o Apóstolo escreveu a respeito dos textos sagrados que tinha em mãos: “Pois tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança”. (Rm. 15:4).

Nossa oração é que o estudo dos escritos paulinos nos ensinem a conhecer melhor a mensagem de Deus e a sermos perseverantes nas dificuldades que vamos encontrar em nossa caminhada! Que nos animem a sentir a consolação que Deus nos dá quando precisaremos de um ombro amigo. Mas, sobretudo, que estas Cartas alimentem a nossa esperança! É a esperança que nos ajuda a sermos melhores, a caminhar, a não desanimar e fazer de nossas igrejas um lugar de encontro, de comunhão e de amor como foram as comunidades que receberam estes textos do apóstolo Paulo!